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Médico morto em confronto com a PM em Catanduva já havia sido preso em operação do Gaeco

Luciano Lopes Pastor, de 52 anos, morreu após ocorrência de violência doméstica. Polícia encontrou armas, munições e uma medalha com símbolo nazista na residência.

O médico Luciano Lopes Pastor, de 52 anos, que morreu após um confronto com policiais militares no domingo (18), em Catanduva (SP), já havia sido preso anteriormente durante uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.

A prisão anterior ocorreu em 7 de agosto de 2025, durante a Operação Duas Caras, que investigava suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a administração de uma organização social da área da saúde.

Segundo as informações divulgadas à época e apuradas pela reportagem do Roni Paparazzi, o médico presidia a organização investigada, e pessoas ligadas à direção do Hospital Psiquiátrico Mahatma Gandhi estavam entre os alvos da operação.

As investigações apontavam suspeitas de irregularidades em contratos de gestão de unidades de saúde em municípios de diferentes estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Santa Catarina.

De acordo com a apuração relatada, empresas ligadas ao grupo investigado teriam sido contratadas para prestar serviços, com suspeitas de emissão de notas fiscais falsas e superfaturamento.

Na ocasião, Luciano foi preso por posse irregular de arma, posteriormente liberado e afastado da função de diretor. A investigação anterior não significa que tenha havido condenação definitiva pelos fatos apurados na Operação Duas Caras.

Ocorrência começou com denúncia de violência doméstica

No domingo (18), a Polícia Militar foi acionada para atender uma ocorrência no bairro Jardim Aeroporto, em Catanduva.

Conforme o boletim de ocorrência descrito no material encaminhado, a esposa do médico telefonou para a polícia relatando ameaças de morte. Ela informou que o marido estava agressivo e armado, após um churrasco em que teria consumido bebida alcoólica.

Quando os policiais chegaram à residência, a mulher já estava na parte externa do imóvel.

Dois filhos do casal, de 14 e 10 anos, permaneciam dentro da casa e, segundo o registro policial, buscaram abrigo no banheiro de um dos quartos.

Confronto terminou com a morte do médico

Segundo a versão registrada pela polícia, Luciano estava armado próximo ao portão da residência.

Os policiais iniciaram uma tentativa de negociação, mas, conforme o boletim, o médico teria apontado a arma na direção da equipe e efetuado disparos.

Os agentes reagiram e atingiram Luciano, que morreu no local.

As crianças foram retiradas da residência sem ferimentos e ficaram temporariamente sob os cuidados de uma tia.

A esposa também não sofreu ferimentos físicos, mas foi encaminhada a uma unidade hospitalar em razão do abalo psicológico.

A dinâmica dos disparos e as circunstâncias da intervenção policial dependem da apuração e dos exames periciais.

Polícia encontrou armas e munições na residência

Durante os procedimentos no imóvel, os policiais localizaram um conjunto de armas e munições.

Conforme o boletim de ocorrência citado no material, foram apreendidos:

  • Oito armas de fogo, incluindo duas espingardas, quatro pistolas e dois revólveres;
  • Seis armas brancas: três espadas, dois espetos e um facão;
  • 352 munições intactas e 98 munições deflagradas;
  • Um radiocomunicador, equipamentos de monitoramento e uma medalha com uma suástica nazista.

Uma peça semelhante a uma granada também foi encontrada. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) foi acionado e, após análise, constatou que se tratava de uma réplica decorativa, sem material explosivo.

A presença da medalha foi registrada na ocorrência, mas não permite, isoladamente, concluir que o médico integrasse uma organização extremista.

Como não havia documentação disponível para verificar a regularidade de todas as armas e munições, o material foi recolhido para análise.

A arma atribuída ao médico e as armas utilizadas pelos quatro policiais envolvidos nos disparos também foram encaminhadas para perícia.

Caso segue sob apuração

A ocorrência foi registrada como morte em decorrência de oposição à intervenção policial, violência doméstica, ameaça e resistência.

O registro policial descreve a natureza inicial dos fatos, mas não substitui a conclusão das investigações e dos exames periciais.

O episódio também chama a atenção para os riscos associados à violência doméstica e à presença de armas de fogo em situações de conflito familiar.

Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190. A Central de Atendimento à Mulher atende pelo 180.

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