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Menina descobre câncer raro ‘sem querer’ ao quebrar a perna

G1

“Ela apenas escorregou e caiu, quebrando o fêmur”, relembra Cristiane Maria dos Santos Oliveira, mãe da pequena Cecília, de apenas oito anos. O que parecia ser apenas uma fratura após a queda, possibilitou que médicos descobrissem um câncer que se espalhava pelo corpo da menina. Em pouco tempo, a perna machucada precisou ser amputada e a vida da família virou de cabeça para baixo.

Cecília era uma criança saudável e vivia uma vida normal com os pais e a irmã mais nova em Guarujá, no litoral de São Paulo, quando, em dezembro de 2019, quebrou o osso da perna esquerda ao escorregar e cair enquanto brincava sozinha. A causa do acidente que levou à fratura assustou os médicos, de acordo com a mãe da menina.

“Foi isso: uma queda sem explicação. Os médicos ficaram assustados, era algo inacreditável até pra eles, que são experientes”, relembra a mãe. “Eles me diziam: ‘mãe, o fêmur é um osso muito forte para quebrar assim’, mas a Cecília contava como escorregou com detalhes, não era mentira.”

Mesmo assim, Cecília seguiu com o tratamento da fratura com cirurgia e, em dois meses, retirou o gesso, passando a frequentar sessões de fisioterapia para retomar totalmente os movimentos da perna. Ela já estava na sexta sessão quando os pais notaram que algo continuava errado. “Começamos a notar algo estranho na perninha dela, pois estava bem inchada”, diz a mãe.
A menina foi levada ao médico ortopedista que realizou a cirurgia, que imediatamente pediu um raio-x do local. O exame apontou uma mancha escura no osso e, procurando orientação, o especialista enviou fotos do resultado à colega de profissão que também fez parte da equipe que operou Cecília. “Nem ela sabia. Repassou as imagens para um médico de São Paulo, ortopedista especialista em câncer, que pediu para vê-la.”
Após novos exames e uma biópsia, veio o resultado: osteossarcoma. Cecília estava com um câncer muito raro no fêmur e, por isso, seu osso estava tão fraco que quebrou quando a menina caiu sobre a perna.
Com o início das sessões de quimioterapia, a perna da menina desinchou, mas os médicos apontaram que a contaminação pelo câncer se espalhou ainda mais, comprometendo a perna esquerda. “Procuraram a melhor forma possível, mas notaram que tinha que cortar a perna dela. A única solução foi amputar”, conta a mãe.

Superação

A família está sendo acompanhada, desde o início da descoberta do câncer, por uma equipe multidisciplinar que inclui psicólogos para os pais e para a menina. Por conta disso, o impacto psicológico em Cecília não parece ter sido grande ao receber a notícia que teria a perna amputada. “Pensamos que ela ficaria com algum trauma, mas tirou a situação ‘de letra’”, diz Cristiane.

“Pra gente [mãe e pai] foi um processo mais dolorido”, diz a mãe. “Mas estamos mais fortes agora, porque vemos ela, com tanta força de vontade e sem nunca perder o brilho que ela tem. Por ela, a gente fica bem fortificado.”

Após a amputação, a família chegou a promover uma arrecadação de dinheiro online para conseguir comprar uma prótese para a menina. Em poucos dias, conseguiram arrecadar R$ 45 mil, que será convertido para a compra da perna mecânica e para o tratamento dela contra o câncer, que continua mesmo após a amputação.

Recentemente, foi encontrada uma pequena metástase no pulmão de Cecília. Novos exames devem verificar a necessidade de novas cirurgias ou se apenas a continuidade da quimioterapia eliminará o câncer dela.
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